Algumas raças de cães de pequeno porte como o Yorkshire Terrier, Bichon Maltês, Pinscher, Poodle, Lulu da Pomerânia (ou Spitz Alemão Anão), Shih Tzu, Chihuahua, Pequinês, entre outros, são propensas a apresentarem o colapso de traqueia, um processo crônico, degenerativo e progressivo, causa frequente de obstrução parcial das vias aéreas.

A traqueia é um túnel que transposta o ar para os pulmões formado por diversos anéis de cartilagem. Essa cartilagem, que normalmente é firme, em decorrência de diversos fatores como por exemplo traumas, fatores genéticos, congênitos e/ou senilidade, pode apresentar um amolecimento levando a diminuição do diâmetro da traqueia, o que dificulta ou bloqueia parcialmente a passagem de ar para os pulmões. O colapso pode ser restrito a uma pequena porção da traqueia ou, em alguns casos mais severos, pode acometer toda a sua extensão.

Esta doença manifesta-se normalmente em animais com idade entre 6 – 8 anos e também em cães com sobrepeso, além da predisposição das raças de pequeno porte mencionadas no início deste post.

Sintomas do Colapso de Traqueia

Os primeiros sintomas apresentados pelos cães com esta doença são tosses secas, mímicas de vômitos e falta de ar, normalmente após exercícios físicos, excitação ou quando bebem água e se alimentam. Conforme a doença evolui, a tosse e os engasgos passam a ocorrer sem estímulos, a falta de ar fica mais intensa, e aparecem novos sintomas como angústia respiratória e mucosas pálidas à azuladas. Os cães podem apresentar também aerofagia (ingestão de ar) na tentativa de respirar. Alguns animais chegam a apresentar desmaios.

É muito importante que logo no aparecimento dos primeiros sintomas o animal seja levado para avaliação de um médico veterinário. Apenas um profissional poderá avaliar os sintomas, fechar o diagnóstico e direcionar o tratamento ideal para cada caso, além de distinguir o colapso de traqueia de uma outra doença respiratória conhecida como tosse dos canis ou traqueobronquite infecciosa canina ou distingui-la também da hipoplasia traqueal, uma condição observada em cães braquicefálicos.

Diagnóstico do Colapso de Traqueia

O diagnóstico é realizado primeiramente pela observação dos sintomas clínicos apresentados pelo cão. Um exame radiográfico de pescoço e tórax pode ajudar a concluir o diagnóstico. Em alguns casos iniciais de colapso de traqueia, o estreitamento da traqueia pode ainda não ser visível no raio-X. Nesses casos, o exame mais indicado é a traqueobroncoscopia, para avaliar o interior de toda extensão da traqueia.

Eco e eletrocardiograma são realizados em conjunto com os demais exames para verificar alterações cardíacas associadas ao colapso de traqueia.

Tratamento e Prognóstico do Colapso de Traqueia

O tratamento que será escolhido pelo médico veterinário poderá variar em função das características do animal, da gravidade dos sintomas clínicos e também da extensão do colapso. O tratamento visa proporcionar qualidade de vida ao animal, pois não há cura.

Durante as crises de tosse, falta de ar e engasgos, o cão deverá ser mantido em local ventilado (livre de poeiras e fumaças), fresco e calmo. Anti-inflamatórios podem ser administrados para diminuir o edema de glote. Para alguns casos mais severos, com infecções e acometimento cardíaco, recomenda-se o uso de antibióticos e diuréticos. Antitussígenos e calmantes podem ser associados ao tratamento.

Atividades físicas deverão ser evitadas até a recuperação ou melhora dos sintomas do cão, assim como também deve-se evitar que o animal frequente ambientes estressantes com aglomerações de pessoas ou outros animais, ambientes quentes e abafados, ambientes úmidos, banhos e tosas e deve-se suspender permanentemente o uso de enforcadores e coleiras de pescoço.

Recomenda-se que o animal, caso seja obeso ou apresente sobrepeso, faça uma dieta balanceada acompanhada por um especialista a fim de voltar ao seu peso ideal.

Animais jovens que apresentam o colapso em apenas uma região da traqueia são candidatos a correção cirúrgica da doença. A cirurgia não é indicada para cães idosos, obesos, com problemas cardíacos ou quando o colapso acometa toda a extensão da traqueia.

Estudos apontam que mais de 70% dos casos apresentam um controle dos sintomas a longo prazo com o tratamento medicamentoso correto, principalmente quando a doença acomete animais jovens, sem outras complicações, ou quando apenas uma pequena porção da traqueia é acometida pelo colapso. Já os casos onde observamos animais idosos, obesos e cardíacos acometidos pela doença, a recuperação é mais lenta e normalmente evolui para Hipertensão pulmonar e Bronquite.

Consulte sempre seu médico veterinário antes de fazer qualquer tratamento com seu cão.

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